16 de agosto de 2017

Álvaro de Moya no UOL, por Gonçalo Jr.

divulgação/FolhaPress
Matéria digna do legado do Prof. Álvaro de Moya, assinada pelo Gonçalo Jr no UOL ontem. Gonçalo tem uma biografia pronta do Moya ( a sair pela Editora Noir, na verdade uma autobiografia) e a muito tempo entrevistou-o para essa empreitada. Os estagiários das redações que pesquisaram para a notícia do falecimento anteontem ( afinal, esse departamento está nas mãos quase exclusivas dos focas, até onde eu sei) precisavam muito ter lido essa matéria para saberem que o mestre Moya foi um dos pioneiros que estabeleceram o que a TV faz até hoje em sua grade de programação  e que ele chegou a ser chefe do Boni e do Walter Clark quando estes ainda engatinhavam no veículo. Mas como tudo hoje é "correria desenfreada" e "pesquisa rasa" ( e isso é culpa dos editores, não dos subordinados) e essa ótima matéria saiu só ontem perto das 10h da manhã, a turma de plantão mergulhou com tudo no Google ( praxe) e deixou pra lá fontes fidedignas como Francisco Ucha ( seu assessor há 6 anos), Mauricio Kus ( que ajudou na produção da comprovada primeira exposição sobre quadrinhos no mundo em 1951 em São Paulo), Waldomiro Vergueiro ( do qual Moya foi mentor na USP), Mauricio de Sousa ( que ficou muito próximo a ele entre os anos 60 e 70, inclusive em trabalhos conjuntos) e o próprio Gonçalo Junior. Se assim fosse, não veríamos uma nota tão vazia no JN ( " o em cima da hora" não justifica a matéria sem nem sequer imagem/foto) e uma matéria com erros feios na Folha ( novidade?). A matéria do Gonçalo focou mais na TV ( a pauta do UOL pendeu para este tema) mas capturou momentos primordiais na carreira e na vida de Álvaro de Moya. Senti falta de detalhes sobre os primeiros anos de Moya nos quadrinhos ( na redação da Gazetinha, como capista de O Pato Donald e Mickey na Abril entre 1952 e 1953 e como colaborar da Editora Outubro/Continental), mas aí é só o lado perfeccionista meu de colecionador/fuçador ferrenho de quadrinhos falando alto. Viva Moya!

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2017/08/15/conhecido-pelos-quadrinhos-moya-foi-um-dos-inventores-da-tv-brasileira.htm

14 de agosto de 2017

Álvaro de Moya (1930-2017)



Com muito pesar, soube da morte de Álvaro de Moya hoje, em São Paulo. Um dos primeiros profissionais do traço a integrar a equipe de Victor Civita na Abril ( 1952/1953, ainda na Rua João Adolfo, no centro de São Paulo), além de ser um dos maiores conhecedores de quadrinhos do mundo, foi pioneiro na TV ( desenhou os letreiros inaugurais da TV Tupi, ajudou no nascimento da TV Bandeirantes e foi produtor e diretor na Excelsior), professor na USP e grande entusiasta do cinema. Escreveu obras essenciais sobre HQ, principalmente "Shazan" de 1970, que trouxe à tona uma visão moderna, profunda e desmistificadora da nona arte. Graças ao amigo ( e seu assessor) Francisco Ucha, organizador da fantástica exposição "Quadrinhos'51" de 2012 ( aqui: https://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2012/04/em-familia-na-emocionante-exposicao.html ), tive o prazer de conhecê-lo e cheguei a visitá-lo em sua casa, onde pude ver ao vivo parte de seu acervo e muitas histórias ( aqui: https://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2016/03/papo-cultural-com-francisco-ucha-e.html . Um ser humano empolgante, animado, generoso, que compartilhava sua vasta cultura sem qualquer resquício de empáfia. Fique em paz, mestre!

11 de agosto de 2017

Em seu 44º aniversário, Hip-Hop ganha Doodle "educativo"

O Hip-Hop e toda sua cultura implícita, está comemorando 44 invernos: foi em 11/08/1973 que o DJ Kool Herc lançou em uma festa a semente do estilo. O Doodle comemorativo do Google relembra a data com uma animação cheia de marra, detalhando partes desta História, além de trazer ferramentas interativas onde se pode brincar de DJ nas picapes estilizadas, fazer mixagens com músicas conhecidas e até criar as próprias músicas. Ryan Germick, um dos mentores da ação no Google, disse em entrevista que este foi um dos projetos mais complexos já feitos pela empresa. A arte do Doodle é do grafiteiro Cey Adams.



O Doodle interativo ( e roteiro completo do projeto) aqui:

https://www.google.com/doodles/44th-anniversary-of-the-birth-of-hip-hop

9 de agosto de 2017

Capitão Feio - Identidade ( Preview)


Mais um lançamento prá lá de aguardado, "Capitão Feio - Identidade", de Magno Costa e Marcelo Costa, a nova Graphic dos estúdios MSP sairá em setembro, primeiramente na Bienal do Livro do Rio e logo em seguida em bancas, naquelas versões já tradicionais ( capa dura ou cartonada). Sidão ( Sidney Gusman, mentor/editor do projeto) pra não perder o costume, fez um preview de "responsa" no Facebook hoje, com imagens inéditas, incluindo capa e texto de quarta capa. A produção da dupla Costa me causou ótima impressão, em uma história que parece bem movimentada e cheia de ângulos, com várias referências/reverências ao vilão predileto dos leitores da turma da Mônica, mostrado no álbum no esplendor de sua fúria. Só senti falta daqueles fios de cabelo que insistiam em se rebelar na calvície do Capitão nos gibis tradicionais, mas como a história é sobre suas origens, talvez o estilo seja proposital. De qualquer forma, esta nova edição da coleção Graphic MSP ( a 16ª) tem tudo para repetir o sucesso das anteriores. E muito dessa qualidade passa pela edição primorosa do Sidão, que sempre sua à beça por meses até que um álbum desses venha à luz.
As imagens disponibilizadas podem ser conferidas abaixo, da última até a primeira ( além da capa lá em cima):











7 de agosto de 2017

Joe Satriani no Ibira!

divulgação

Ontem, eu e a família do-ré-mi fomos sem pestanejar ao showzaço gratuito do Joe Satriani, um dois mais rápidos guitarristas do mundo - além de seu histórico como professor de guitarristas brilhantes como Steve Vai ( que se tornou grande amigo), Kirk Hammett, Alex Skolnik ( Testament), entre outros. No Parque do Ibirapuera ( SP), em noite de lua cheia e um frio aconchegante, milhares de pessoas cercaram o auditório do parque para prestigiar o guitarrista americano que é colecionador de Grammys e já vendeu mais de 10 milhões de cópias de seus discos. Nos últimos tempos acompanho um pouco de longe sua carreira, mas nos anos 80/90 fui ferrenho ouvinte de suas pirotecnias estonteantes, primeiro no disco "Surfin with the Alien" de 1987, que deixou todo mundo de queixo caído na época, menos Steve Vai, seu ex-aluno, conhecedor de seu virtuosismo na guitarra e por isso mesmo responsável por divulgar Satriani sempre que possível em entrevistas, o que ajudou-o a conquistar sucesso depois de pelo menos dez anos na labuta. Além desse petardo que estampava na capa o próprio Surfista Prateado de Stan Lee e John Buscema, ícone dos quadrinhos sessentistas, talvez o disco do homem que eu mais ouvi/gastei a agulha foi o de 1992, The Extremist, cheio de nuances e climas e um dos projetos de sua carreira mais festejados pela crítica. Joe Satriani tem estilo próprio e mistura em seu caldeirão tudo o que tem direito - jazz, blues, funk, heavy, progressivo - e ontem, além de seus clássicos ( "Crushing Day"; "Always with Me, Always With You"; "Summer Song"; "Friends")  tocou Hendrix e um número muito próximo de ser chamado de baião. Um show gratuito com duas horas de duração em que o protagonista tocou com muita disposição - lembrando que ele completou 61 anos em julho! - esbanjando felicidade enquanto esmerilhava suas três ( quatro?) guitarras na apresentação, ao lado de sua banda competentíssima. Quem estava lá pôde presenciar: depois de exaustivas músicas com quatro minutos ou mais, o guitarrista não apresentava nenhum sinal de cansaço, sequer presença de suór ( vejam fotos dele de quinze anos atrás - ele também não envelhece!!), o que me faz acreditar que ele possa ser um "alien". Pra tocar guitarra desse jeito, bem provável!
No final apoteótico do show, que durante toda a sua duração contou com efeitos visuais estonteantes vindos do telão, Satriani pediu para o guitarrista Artur Menezes, brasileiro radicado nos EUA que fez com sua banda uma perfeita abertura, subir ao palco para ajudá-lo em um blues de alta voltagem. No fim fez um gesto de retribuição à reverência explícita do jovem instrumentista, o que prova sua falta de esnobismo. O professor estava lá para divertir a plateia e se divertir também. Conseguiu.

Abaixo, fotos da apresentação ( e a íntegra de "The Extremist", para recordar)

https://www.youtube.com/watch?v=yxIM312iBWU











4 de agosto de 2017

Luiz Melodia (1951- 2017)


Sexta feira triste, muito triste! Faleceu Luiz Melodia, um dos mais autênticos intérpretes/compositores de nossa terra brasilis. Melô se despede da gente aos 66 anos, deixando uma obra ainda a ser estudada - suas composições são genuínas, únicas - e discos que se tornaram clássicos, a começar pelo primeiro, Pérola Negra (1973), obra prima de sua carreira. Como músico e intérprete Melodia não deixou herdeiros - um soul tropical cheio de climas, com pitadas de samba, tudo embalado na mais sólida afinação. E como letrista, mais uma vez quebrou tradições, transgredindo frases, misturando emoções em poesias cortantes e crônicas pungentes. Tive o privilégio de conhecê-lo em um evento no Rio há alguns anos atrás. Trocamos ideias, ele foi muito aberto e descontraído, e fiquei emocionado ao vê-lo mais tarde, brincando com crianças no carpete do hotel , enquanto o evento rolava no salão ao lado. Luiz Melodia era assim, zen até a última ponta. Sua música "Magrelinha" é das mais celebradas por mim e pela Cris entre a playlist de favoritas que temos desde o começo do nosso relacionamento. Seu disco "Pérola Negra", um dos mais "gastos" na minha velha vitrola. E a emocionante "Juventude Transviada" , tema de novela, uma das grandes músicas da trilha da minha infância. Por essas e outras Melodia sempre fez parte da minha vida. Que fique em paz em seu novo caminho.

https://www.youtube.com/watch?v=efg8Th__apc

3 de agosto de 2017

Baú do Malu 71: Mascote 1 e 3 ( Editora Abril - 1953)



A Editora Abril ( leia Victor Civita, o fundador) sempre se orgulhou de ter começado seu conglomerado editorial com um "pato", a despeito do velho Walt ter também lá nos anos 20  finalmente "vingado" ( após algumas frustrações e fracassos) com um rato ( e eu nem preciso escrever que é o Mickey, certo?). O pato do seu Victor é o Pato Donald, claro, lançado em julho de 1950 em formato menor ( depois adaptado para o atual formatinho). Por causa desse amuleto de sorte, que não vendia horrores no início mas graças ao "marketing de guerrilha" de Civita e sua pioneira equipe ( entre eles Claudio de Souza, Reinaldo de Oliveira, Alberto Maduar e um pouco depois Álvaro de Moya), que faziam corpo a corpo junto às bancas, a revistinha O Pato Donald deslanchou e catapultou a vinda de revistas de outros segmentos - Capricho, Quatro Rodas, Cláudia, etc. Moya, em recente entrevista ao colecionador Adriano Rainho, lembrou que um desenho da cara do Pato Donald - sugestão sua - foi adaptado na frente da perua de distribuição da Abril, avisando assim a criançada que o gibi novo tinha acabado de chegar. Diante desse começo promissor, outras revistas do período (1950-1953) que não tiveram a mesma sorte em vendas, acabaram ficando no limbo, esquecidas na história oficial da editora  - citei-as em post anterior: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2012/04/bau-do-malu-36-diversoes-escolares-n.html ) . A Mascote entra nessa história como mais uma das publicações renegadas da Editora Abril. Publicada em 1953 ( um pouco depois da estreia do Mickey em revista própria), foi mais uma tentativa de Victor Civita de introduzir no Brasil revistas lançadas e testadas pelo seu irmão César Civita em sua Editorial Abril na Argentina ( como Raio Vermelho, depois Misterix - aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2011/11/bau-do-malu-34-raio-vermelho-n-49.html ). Uma revistinha infantil pitoresca e abusada em "efeitos visuais", com bordas recortadas contornando os desenhos da capa, os textos narrativos escritos com letra de caderno ( e a tinta imitando caneta esferográfica), geralmente dando pistas dos autores que produziram as historinhas ( Heitor, que deve ser Hector Oesterheld; Sirob - Boris ao contrário; Hugo, muito provavelmente é o grande Hugo Pratt), as histórias principais sequanciais, sem quadros definidos nem balões de diálogos. Até onde eu sei saíram apenas quatro edições mensais de Mascote no Brasil ( o original na Argentina era Gatito - veja aqui, neste ótimo post: http://mimamamemima2009.blogspot.com.br/2013/01/gatito.html ). Eu possuo em meu acervo a número 1 ( setembro de 1953) e a número 3 ( novembro de 1953). Na última, algumas histórias creditam os autores - entre eles mais uma fera do quadrinho argentino: Alberto Breccia. O pato "voava" nas bancas neste 1953, Mickey começava a pegar gosto e equipe de artistas da casa chegou a ter até curso extensivo para pegar o jeito de desenhar seguindo o "padrão Disney". Paralelamente, uma segunda roupagem de "Raio Vermelho" ( a verdadeira primeira revista de Victor Civita no Brasil) rebatizada de Misterix e lançada neste mesmo ano - com lindas capas de Jayme Cortez ( não assinadas) sobreviveu por um semestre (12 edições quinzenais). O simpático "Gatito" e sua turma acabaram esquecidos nesse processo. Se em algum momento o astuto Victor Civita se deu conta e tentou algum tipo de divulgação mais focada ( no caso o público era formado por leitores mais novos), já era tarde para o Mascote.

Abaixo, capa da 3 e internas das edições 1 e 3:










31 de julho de 2017

Fotos do Mês: Santo André ( Centro, Vila Assunção e Ipiranguinha)

No meio do mês, resolvemos eu e meu filho andar a pé até uma consulta médica em Santo André, cerca de oito quilômetros de casa. Pesou nessa escolha sem dúvida a crise econômica, já que em casa estamos economizando de tudo um pouco - condução, alimentação, lazer, etc - mas o passeio acabou fazendo muito bem para os olhos e o coração. Atravessamos o Centro da cidade rumo aos bairros Vila Bastos, Vila Assunção e Ipiranguinha, até a Rua Carijós. As imagens vieram naturalmente, com o celular em punho. E eu consegui algumas imagens interessantes, algumas mais óbvias ( Paço) , outras bem lado B. Santo André, cidade que consta em minha certidão de nascimento é grande à beça, faz divisa com Cubatão e Santos e tem muito, mas muito detalhe escondido, longe dos holofotes. Essa certamente será a primeira entre muitas expedições fotográficas ao município vizinho.

Obra de Tomie Ohtake no Paço Municipal




Casarão na esquina da Rua Celk. Agenor de Camargo e Rua Cel. Francisco Amaro





começo da Rua Carijós

Igreja Matriz da Vila Assunção




Parque Antonio Flaquer - Ipiranguinha


28 de julho de 2017

Mick Jagger, elétrico e ativo como sempre,aos 74, lança EP solo


Ontem, 27/07/2017, Mick Jagger lançou mais um disco solo, demonstrando que está elétrico e ativo como sempre ( do alto de seus bem vividos 74 anos recém-completados). O EP Gotta Get a Grip/England Lost vem com o título das duas músicas inéditas e conta ainda com quatro remixes. Enquanto "England Lost" tem uma versão extra, com participação do rapper londrino Skepta, "Gotta Get a Grip" surge em quatro variações: uma com o DJ brasileiro Alok, outra por Tame Impala, mais uma por Seeb e a última por Matt Clifford. Além do áudio, dois videoclipes das músicas novas já estão disponibilizados no Yutube ( abaixo, no canal do Youtube de Mick). A capa do EP, compartilhada em seu twitter ontem, pode ser apreciada acima. Em tempos tumultuados na Europa e no Mundo, Mister Jagger aparece de surpresa, com disposição e vigor para encher nossos ouvidos de bom som e depois de se aprofundar em 2016 no passado dos Rolling Stones  - com o ótimo disco Blue & Lonesome , recheado de blues e rhythm'blues - "cutucar" o presente caótico, com citações ao Brexit e um mundo político liderado por "palhaços e lunáticos". Mick Jagger sendo Mick Jagger.

https://www.youtube.com/watch?v=rYw6FxEGDCY

https://www.youtube.com/watch?v=98gj0z0RkXE


27 de julho de 2017

Sala para Rapsódias em São Caetano traz "O Senhor Brecht"


A Marisa Déa é conterrânea minha aqui na "Vila Barcelona" em São Caetano e além de professora e assessora, é uma grande "agitadora cultural", o que em tempos de raquitismo da cultura independente e corte de verbas públicas, torna suas ações verdadeiros oásis em extenso deserto. O projeto cultural ÃnandaV, do qual ela participa como uma das principais mentoras e tem como objetivo unir e eternizar pessoas de talento através da Arte, deu a partida em suas atividades nessa semana e já divulga duas aconchegantes sessões do espetáculo (cartazes acima e abaixo), em parceria com a Sala de Rapsódias: "O Senhor Brecht", de Gonçalo M.Tavares, idealizado e interpretado pela atriz Glauce Guima. O evento acontecerá em dois locais em São Caetano: na sala do apartamento da Marisa ( sede provisória do ÃnandaV) e na Escola de Idiomas Ibérica, do meu amigo Henrique Valsésia, sempre disposto ao incentivo cultural na cidade - a contribuição para as duas sessões é livre ( passa-se o chapéu no final da apresentação). Para quem não conhece o projeto parceiro Sala de Rapsódias, colei o passo-a-passo abaixo, para quem quiser acolher a ideia.