22 de abril de 2017

Cobertura do Festival Guia dos Quadrinhos no Colecionadores de HQs


Depois de um bom tempo sem atualizar a coluna "Alma de Almanaque" lá no site Colecionadores de HQs, capitaneado pelo amigo e grande incentivador dos quadrinhos Renato Frigo, fiz a cobertura no domingo passado do 2º dia do Festival Guia dos Quadrinhos no Club Homs na Avenida Paulista. Um dia inesquecível ao lado dos meus filhos, onde pude encontrar amigos que arregimentei nestes longos anos como colecionador de quadrinhos e também conversar com diversos artistas, autores, colecionadores e fãs da nona arte. Leiam aqui:

http://colecionadoresdehqs.com.br/festival-guia-dos-quadrinhos-o-mais-descolado-encontro-de-fas-e-colecionadores-da-nona-arte/

21 de abril de 2017

Baú do Seu João 21 : Revista Vida Esportiva Paulista nº 163 - Setembro de 1953


Entre os itens que mais se destacam no acervo do meu pai, sem dúvida nenhuma, são os relacionados ao futebol, e principalmente, ao Corínthians, seu time de coração desde sempre. Esta curiosa revista mensal "Vida Esportiva Paulista" é um desses itens e a edição publicada aqui tem algumas peculiaridades que merecem ser pontuadas. A capa chama a atenção de cara pela simpática ilustração de um jogador mesclado ao bonito escudo do Corínthians que cobre quase seu corpo todo ( desenho não assinado). Atrás dele a foto emoldurada do esquadrão corinthiano da época que vinha de importantes conquistas neste início da década de 50. Esta edição 163 traz uma especial cobertura do time que completava no mês de setembro 43 anos de sua fundação. A revista, pelo que se vê neste exemplar, embora já tivesse em seu ano XIV (14) de existência ( conforme capa), não era uma publicação chamativa em seu miolo, e o que se percebe em suas 48 páginas é que sua impressão era custeada pelas centenas de anúncios - a maioria da região do Ipiranga e zona sul de São Paulo - que abriam espaço junto aos artigos e muitas vezes se sobressaíam visualmente às reportagens. E embora a ilustração da capa dê a entender que o veículo utilizava o serviço de artistas em seu miolo, não há um único desenho em seu conteúdo interno, pelo menos não nessa edição. As fotos sim, estão em quase todas as páginas - algumas bem de bastidores, o que dá um charme de fanzine à revista. Além da matéria especial sobre o Corínthians e um apanhado geral sobre o que acontecia nos campeonatos da cidade e do Estado de São Paulo, há também alguns artigos sobre teatro, música e até receitas culinárias. Abaixo algumas páginas para apreciação:







20 de abril de 2017

Baú do Malu 69: MitoloRia (M&C Editores)


Este álbum "MitoloRia", editado pelo Minami Keizi na primeira metade dos anos 70, com roteiro dele e desenhos do fabuloso Nico Rosso, estava na minha mira há muito tempo, mas nunca tive a oportunidade de adquiri-lo. Neste mês, fui visitar o estúdio do meu amigo Mario Mastrotti, que estava fazendo uma mudança em seu acervo e trocando/vendendo alguns itens. Quando bati o olho neste álbum, peguei-o na hora, anunciando que aquele já era meu! rs. Negociei por um preço bem camarada, de amigo, e ainda levei de lambuja a dedicatória do mestre feita para o antigo dono do álbum, o cartunista Moretti. Quem espera com paciência, um dia alcança - esse é um dos meus lemas como colecionador.






15 de abril de 2017

Doodle: 56 anos do Parque Indígena do Xingu

O Google criou mais um Doodle especial com foco na História do Brasil, homenageando os 56 anos do Parque Indígena do Xingu no Mato Grosso. A ilustração, margeada por água, traz ocas, barcos, pés de mandioca e arte indígena.
Para saber mais sobre o parque e o novo doodle, aqui:

http://www.techtudo.com.br/noticias/2017/04/parque-indigena-do-xingu-ganha-doodle-do-google-conheca-historia-do-pix.ghtml

13 de abril de 2017

Achado 5: Cartão turístico de hotel italiano


Ontem encontrei essa belezinha de cartão dando sopa no meio de uma calçada aqui próxima. Seria um cartão qualquer de visita, não fosse essa magnífica aquarela frontal e um mapa desenhado no verso. Esse conjunto lhe deu vida e me chamou atenção quando quase o pisei no passeio público. Vai se juntar aos outros achados - os primeiros publicados no blog foram todos encontrados no meio de livros - demonstrando que muitos itens gráficos interessantes podem surgir não só em meio à publicações mas também em calçadas, muretas, bancos de praças e tal como este, jogados ao vento.



12 de abril de 2017

As mulheres de Toni D'Agostinho em exposição no Metrô


Hoje, mesmo na correria, parei um minutinho na ótima exposição individual do caricaturista Toni D'Agostinho, montada na estação Paraíso do Metrô, com o título "Mulheres que Mudaram o Brasil". Não bastasse a usual elegância e originalidade no traço do artista ( que conheço desde os primeiros trabalhos publicados nas edições cooperativadas capitaneadas pelo Mastrotti), há também o ótimo texto de Natalia Negretti ( que infelizmente o celular não capturou com precisão). A expo já passou pela estação República e fica até 23/04 na Paraíso. Excelente! ( a minha favorita dessa série é a Nair de Teffé ). Vejam algumas imagens:







5 de abril de 2017

Os minicontos de Noll na Ilustrada

Noll na época em que colaborava para a Folha ( crédito: divulgação/Folha de S.Paulo)
O recém-falecido escritor João Gilberto Noll foi colaborador/colunista da Folha de S.Paulo entre 1998 e 2001. A sua coluna "Relâmpagos" saía toda segunda e quinta-feira no caderno Ilustrada e serve como parâmetro para se conhecer um pouco da sua linguagem cortante, ligeira e em alguns momentos enternecedora.
Alguns deles estão abaixo, numa seleção que a própria Folha fez em matéria de seu falecimento;


"Coágulos"
(publicado em 15 de outubro de 1998)
Foi durante o temporal que o vulto me apareceu. Parei o carro e você surgiu atrás das afoitas hastes do pára-brisa. seu rosto saído do nada e aquele ruído nervoso no pára-brisa. Você entrou. e o beijo se embebendo do surto celeste. Aí sacudi a cabeça para me libertar de uma espécie de desfalecimento súbito em todo o carro. A atmosfera emudeceras: relâmpagos sem trovão, pára-brisa sem ruído, palavras virando coágulos. Tudo se desesperou e eu gritei e você gritou e veio a madrugada e o agudo sabor de mais um beijo. Depois foi só estio. E nós, pele e osso, jejuando na bruta calmaria.

"O foco"
(publicado em 2 de novembro de 2000)
Ele toca, com cuidado. A mão sente, devagar. Primeiro uma saliência calosa, como se fosse a beira de uma cratera. Os dedos descem, parece que em direção à arena. Pedras pontiagudas, logo um terreno arenoso. Os dedos avançam. Procuram um centro, a esfera nuclear. A mão suada pára, descansa um pouco, sente a textura ainda íngreme, sempre pedregosa. Coberta de sinais prematuros para um sujeito ainda forte como ele, recebe em cheio a grosseira luz daquela hora. Um homem sem chapéu, camisa, todo áspero de vento. Seus dedos, ciscando ali, na terra, sonham às vezes com outra consistência...O que ele faz em pleno meio-dia, cego de sol? Prepara as primeiras filmagens. Para amanhã cedo. Por isso seu tato se aproxima do centro da cratera. De onde tudo deverá partir.
*
Férias
(publicado em 7 de dezembro de 2000)
Ele estaria à espera, sempre. Por que ela depositava tanta confiança? Realmente, era uma exagerada reserva de fé em apenas uma criatura, ele, de compleição tão sucinta, quase um fiapo, como qualquer outra pessoa, aliás, se comparada àquela paisagem ali, por onde corria um rio prateado -esse, sim, todo à espera da lua para se azular. Ela mordeu o lábio, como poderia ter sorrido, se recolhido em concha, tudo porque repentinamente estranhara a imagem do homem que deveria àquela hora estar à sua espera, ensaboado dentro da banheira, bem como gostava. E, de preferência, de chapéu de feltro, como um extinto personagem de filme francês, a ler quem sabe um livro ilustrado sobre John Ford. Ela entrou no rio. Ouviu um assobio. "Tem gente perto", murmurou. E mergulhou para se refazer.
*
"A dívida"
(publicado em 29 de outubro de 2001)
Descarregando a ansiedade, eu passava a lâmina sem praticamente mais nada para escanhoar. Foi quando atrás de mim surgiu uma imagem de cujos traços vinha uma lembrança que eu chamaria de saudade, se conseguisse pegar um ponto, um detalhe que me parecia arisco de antemão. Me virei. Era quem pensava, sim. Eu precisava decidir se acolheria... Mas tinha o detalhe ainda velado, e só com ele eu poderia dizer "venha" ou "volte ao inferno!". A figura abriu a mão mostrando a cicatriz. Não, não era uma das chagas de Cristo, mas o tal detalhe, em ferida. A mão agora retirava a espuma em volta da minha boca, até deixá-la livre. E sem escolha. Encostei os lábios nos lábios ainda sensíveis de sua palma. Covarde, eu mendigava o perdão... 

4 de abril de 2017

João Gilberto Noll ( 1946-2017) e o texto-desabafo de Carpinejar

divulgação FLIP
O João Antonio Buhrer postou esse texto-desabafo do Carpinejar publicado no Zero Hora do dia 30/03 e tanto ele como eu comungamos dessa opinião. Noll era um grande da nossa literatura e faleceu no dia 29/03 aos 70 anos, sem o devido reconhecimento que merecia. Na verdade ele tinha visibilidade sim, pois seus livros continuavam saindo pela Record e era publicado em diversos países, mas pelo seu currículo e importância deveria estar mais presentes nas rodas literárias, discutido mais em escolas, divulgado mais em sua própria cidade. Ele foi o maior vencedor do Jabuti e só isso já devia alçá-lo a um patamar de maior destaque.
Fique em paz, bravo escritor e que esse texto do Carpinejar reverbere por aí, para que as coisas, mesmo que tardiamente, mudem de direção.

Fabrício Carpinejar: "João Gilberto Noll foi assassinado"

João Gilberto Noll não morreu de causa natural, foi assassinado pela sociedade. Foi assassinado pela indigência cultural do Estado. Foi assassinado pelo total desprezo de nossas instituições pelos grandes artistas e narradores. Foi assassinado por ausência de incentivo e de apoio. Foi assassinado pelo orçamento imaginário da Secretaria Estadual de Cultura. Foi assassinado pela inanição do Instituto Estadual do Livro.
Em seu enterro na noite de quarta passada, na capela 9 do Cemitério João XXIII, havia menos de 50 pessoas para se despedir de um dos maiores escritores gaúchos de todos os tempos. Não apareceu prefeito ou governador, não apareceu ministro ou deputado federal, não apareceu presidente da Assembleia ou da Câmara Municipal. Os políticos não leem mais? É isto? É artigo de regimento interno?
Não se decretou luto no Estado. Não existiu nenhuma mobilização popular. Não teve cobertura da imprensa no velório.
Ele sequer aparece nos livros de nossas escolas como autor fundamental. Ele não é listado como autor obrigatório em nossos vestibulares. Ele não recebeu nenhuma honra nos últimos cinco anos — a mais recente foi como autor homenageado do Festipoa, em 2011. As novas gerações já não o conhecem, pois simplesmente não o estudam.
Noll ficou mergulhado no ocaso, logo ele que se mantinha integralmente da literatura e dependia de convites para palestras, recitais e conferências. Sua única fonte vinha a ser uma oficina de escrita criativa esporádica.
Não me insulte alegando que ele morreu de velho. Ninguém é mais velho aos 70 anos. Morreu de solidão nesta cidade abandonada às bestas, onde os livros são uma seita para pouquíssimos e corajosos.
Rio Grande do Sul virou uma Sibéria para os criadores, um exílio forçado. Ama-se esta terra platonicamente.
Não parecia que perdíamos um de nossos mitos da literatura, da estatura de um Mario Quintana, de um Caio Fernando Abreu e de um Moacyr Scliar.
Foi um enterro simples, caseiro, envolvido pelos familiares e amigos mais próximos, com apenas três coroas de flores enviadas para ornar a cabeceira do caixão. Não teve fila para se aproximar do corpo e abençoar a sua partida. Então, não me diga que ele morreu de morte natural. Foi assassinado pela indiferença. Pelo desprezo. Pela desinformação. Pela tristeza e pelo desgosto.
Como o nosso maior ganhador de Prêmio Jabuti, o mais prestigiado do país, vencedor de cinco edições (1981, 1994, 1997, 2004 e 2005), vivia na total clandestinidade em Porto Alegre? Como permitimos a sua desaparição pública?
Ele não ganhou nenhuma alta condecoração em vida das autoridades no RS (a exceção foi o Fato Literário em 2009, iniciativa da RBS). Não foi patrono da Feira do Livro. Não é nome de biblioteca, dificilmente servirá para batizar alguma Casa de Cultura. Estamos vendendo o nosso patrimônio e, pelo jeito, não sobrará entidade nenhuma para ser nomeada. Como abandonamos à míngua os nossos mestres?
Não venha com o atenuante de que a sua escrita era difícil, é tão difícil quanto o fluxo de consciência de Clarice Lispector que não para de crescer em vendas e ser saudada no Exterior (The Complete Stories entrou na lista dos cem melhores livros de 2015 feita pelo jornal americano The New York Times). Sua obra — dezoito livros — continua sendo publicada pela Record. Tampouco é por carência de circulação.
Como deixamos de lado um de nossos romancistas mais adaptados ao cinema, com versões conhecidas nas telas de Harmada, Hotel Atlântico e do conto Alguma Coisa Urgentemente?
Como as mais prestigiadas universidades estrangeiras, de Iowa e King's College, lhe pagavam para vê-lo produzindo como escritor-residente, e jamais oferecemos condições para ele desenvolver a sua ficção na capital gaúcha, logo ele que residia inteiramente aqui e retratava Porto Alegre em seus livros?
Como ele era convidado a dar aula em Berkeley, nos EUA, na cátedra de Literatura e Cultura Brasileira, e nunca fora convidado para lecionar nas universidades gaúchas, logo ele formado em Letras pela UFRGS?
Como não desfrutava de espaço fixo no rádio e na TV, ele que já foi influente colunista da Folha de S. Paulo de 1998 a 2001?
Como menosprezamos alguém que renovou a escrita e enfrentou a supremacia do regionalismo, que fundou uma escrita urbana, feita da procura nômade da felicidade e de andarilhos que apenas encontravam pátria em seu corpo?
O descaso não pode ser resultado da falta de atualidade da obra de Noll, porque ele era absolutamente pós-moderno e abordava temáticas do momento como homoerotismo, inadequação social e tolerância às minorias.
Como não zelamos por uma carreira vitoriosa de 37 anos, acostumada a projetar o Rio Grande do Sul no cenário internacional?
Ele deveria ter sido lembrado, festejado, paparicado, cuidado, mimado, protegido, acalentado, amado. Assim como Pernambuco fez com Ariano Suassuna antes e depois de sua morte. Mas não aconteceu nada.
João Gilberto Noll morreu do nosso completo nada. Quem será a próxima vítima? Quem?

 (Fabrício Carpinejar - Zero Hora - 30/03/2017)

3 de abril de 2017

Rick and Roll 30 Anos: segunda parte da entrevista no ABC Repórter ( 01/04)


No sábado, dia 01, saiu a segunda parte da entrevista que fiz com o icônico Ricardo "Rick" Martins, proprietário da Rick and Roll Discos, loja de São Caetano especializada em discos de vinil que completou 30 anos de fundação neste início do ano. Agradeço ao desempenho da equipe do ABC Repórter, que teve que se desdobrar para diagramar e editar a entrevista diante do espaço reduzido disponível. E ao Rick, claro, que conversou longamente comigo e trouxe no papo muitos detalhes e passagens memoráveis de sua trajetória cultural na região do ABC. ( quando aparecer a oportunidade certa, publico na íntegra essa entrevista). Viva o Rock and Roll!

O link para a 2ª parte:

http://digital.maven.com.br/pub/abcreporter/?numero=3675#page/8

e a primeira parte ( 24/02):

http://digital.maven.com.br/pub/abcreporter/?numero=3651#page/11

29 de março de 2017

A Pomba na rede!

Pomba nº 1

As dicas capturadas no ar pelos antenados amigos à volta, cada vez mais surpreendentes neste mês! Desta vez o ligadíssimo editor da revista Brasileiros, Marcelo Pinheiro, veio com uma daquelas que valem o ano: a libertária e como o próprio Marcelo citou em seu post. "abusada" revista "A Pomba", publicada entre 1970 e 1972, está disponível na íntegra na rede, para deleite dos que como eu, adoram mergulhar no abismo profundo e substancioso da imprensa "nanica" ou alternativa brasileira, principalmente nos anos de chumbo da ditadura, quando a criatividade e a audácia jornalística/artística suplantavam qualquer medo, boicote ou terror. A Pomba foi das melhores e todas as suas 13 edições estão disponibilizadas na página da editora Elvira Vigna ( que produzia a revista ao lado de Eduardo Prado). A dica dada pelo Marcelo Pinheiro veio do redator chefe da Brasileiros, Daniel Benevides, que fez matéria especial com Elvira na edição atual de Cultura!Brasileiros ( aqui: http://brasileiros.com.br/2017/03/ira-de-vigna/) . De quebra, na mesma página da Elvira, edições disponíveis de "2001" (revista em que Paulo Coelho conheceu Raul Seixas)  e "Pipocas" (esta infanto-juvenil), mais dois exemplos de como a criatividade editorial da época não tinha limite. Dica primordial! valeu Marcelo Pinheiro!

http://apomba.vigna.com.br/