24 de agosto de 2016

Geneton, Zuenir, Rubem e um "depoimento improvável"

Essa historinha foi contada pelo próprio jornalista Geneton Moraes Neto, recém falecido, e compartilhada pela jornalista Raquel Cozer no FB:
"Uma amiga minha havia me dito que Rubem Fonseca faria uma conferência em Paris. Fui até a conferência e o abordei. Rubem Fonseca disse que não daria entrevista. Ainda brincou: disse que era tímido. Insisti, mas vi que ele não daria. Então, ele me disse: “Grave o que eu vou falar. Depois, você faz o que quiser”.
Gravei toda a conferência. Voltei para o Brasil, transcrevi a fala, que era um depoimento biográfico em primeira pessoa. Ninguém me pediu para fazer. Deixei o texto pronto na portaria do Jornal do Brasil, endereçado a Zuenir Ventura, que eu não conhecia pessoalmente. Avisei que era um depoimento do Rubem Fonseca. Zuenir terminou contando esta história no livro de memórias que publicou. Disse que, quando a secretária lhe disse que um repórter chamado Geneton tinha deixado uma matéria com Rubem Fonseca, pensou: “Isso não deve ser verdade. Primeiro: Rubem Fonseca não fala. Segundo: não pode existir alguém chamado ‘Geneton’, ainda mais Neto. Quer dizer que existem três Genetons? O pai, o filho e o neto? Impossível!”

Histórias como essa só podiam acontecer no velho Jornal do Brasil dos bons tempos! Tempos em que três grandes figuras das nossas letras/escritas podiam frequentar naturalmente e sem espanto um "causo" do cotidiano jornalístico.


23 de agosto de 2016

Geneton Moraes Neto (1956-2016) e Goulart de Andrade (1933-2016)

Geneton ( divulgação: Globo)


Goulart
Dois jornalistas da gema, daqueles que nasceram para a coisa e enchem de orgulho os que seguem essa profissão, Geneton Moraes Neto e Goulart de Andrade deixaram esse plano terrestre quase no mesmo dia. O primeiro, com apenas 60 anos, depois de ficar internado desde maio por causa de um aneurisma na aorta. Goulart, com 83 anos, tinha problemas cardiorrespiratórios. Os dois foram multimídia bem antes deste termo ficar em voga. Geneton começou no jornalismo ainda  na adolescência e passou por inúmeras redações - a primeira na sua Recife natal - até chegar à direção. Estava há décadas na Globo, iniciando como repórter ( função da qual não abandonou nem em seus tempos de chefia), passando pela edição do JN e do Jornal da Globo e como correspondente em Londres, até chegar à repórter e editor chefe no Fantástico, além de comandar o famoso programa "Dossiê", na Globo News. Entrevistou meio mundo no mundo, de astronautas a mitos. Das suas reportagens surgiram vários livros ( muitos no formato "dossiê") e mais recentemente documentários ( o último sobre Gláuber Rocha). Uma de suas entrevistas mais comentadas e viralizadas foi com o recluso Geraldo Vandré  ( veja abaixo). Desde 2009 mantinha um blog no G1. Já Goulart de Andrade foi um dos precursores dos programas jornalísticos passados na madruga, mas muito antes disso já atuava na TV e ma imprensa escrita ( sua carreira ultrapassou a idade de Geneton - 61 anos). Também trabalhou no Fantástico ( anos 70) e foi diretor de Fausto Silva no famigerado "Perdidos na Noite" na Gazeta e depois Bandeirantes. No seu "Comando da Madrugada" deslanchou o bordão "Vem comigo", a deixa para suas profundas reportagens em temas do submundo e do cotidiano. Foi também ator de cinema, teatro e TV ( sua última participação foi na série "Os Atravessadores") e em seu derradeiro programa próprio no ar, "Vem Comigo", na TV Gazeta, atuava  com alunos da Fundação Cásper Líbero. Um detalhe curioso sobre Goulart eu soube só fazendo este post: o jornalista/apresentador era afilhado de Carmen Miranda! Essa dupla polivalente Geneton-Goulart, com dois repórteres genuínos, caçadores de memórias, vai fazer falta nesse tão combalido jornalismo atual.


http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/08/jornalista-geneton-moraes-neto-morre-no-rio-aos-60-anos.html

https://www.youtube.com/watch?v=OpUcFX2qVFA

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/08/morre-o-apresentador-goulart-de-andrade-em-sao-paulo.html

https://www.youtube.com/watch?v=Cp9tYPDs37Q

22 de agosto de 2016

Foto do Mês: Grandes da música brasileira em algum momento da segunda metade dos anos 60


Essa expressiva foto com grandes nomes da música brasileira nos anos 60 apareceu na página "Rio de Janeiro - Memória & Fotos" lá no Facebook, e como geralmente acontece, veio sem data, sem crédito e sem fonte ( quem souber de algum dado, por favor, me avise nos comentários). A imagem tem cara daqueles ensaios especiais da revista Realidade, que gostava de fazer essas reuniões musicais. E pela presença de Sidney Miller ( conhecido a partir de 1965) e Sônia Lemos ( que apareceu em 1967, teve um up na carreira em meados dos anos 70 com dois LPs e depois sumiu), essa foto tem grandes chances de ser de 1967 mesmo. Na ordem da esquerda para direita:
Francis Hime, Tom Jobim, Dori Caymmi, Sisney Miller, Dóris Monteiro, Zé Keti, Sônia Lemos, Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Vinícius de Moraes e Edu Lobo. Que time!

16 de agosto de 2016

Elke Maravilha (1945-2016)


Elke Maravilha, nascida Elke Georgievna Grunnupp, uma das artistas mais admiradas pelos brasileiros, dos mais pobres aos mais ricos, faleceu hoje, depois de uma internação de 40 dias que se seguiu a uma operação de úlcera. Elke se vai aos 71 anos. Anos intensos! Se tivesse um instrumento de medição que pudesse calcular o grau de intensidade em que uma pessoa viveu e quanto vale isso em anos, Elke talvez tivesse uns 200 anos. 

Veio da Rússia para as Minas Gerais ainda criança e nos anos 60, lindíssima, começou a desfilar e fotografar como modelo. Logo estava na televisão, via Chacrinha ( a quem chamava Painho), como jurada da Discoteca do Chacrinha ( e Silvio Santos depois). Foi a mais jovem professora de francês da Aliança Francesa e de inglês da União Cultural Brasil - Estados Unidos ( sabia oito idiomas!). Também foi bancária, tradutora, bibliotecária, secretária. 
Elke com Hugo Carvana
Fez filmes bem bacanas ( Pixote, Quando o Carnaval Passar, Xica da Silva, entre outros) , fez novelas ( A Volta de Beto Rockefeller foi uma), comerciais, teve programa próprio, e desde muito nova era virada da breca: em um desfile para Zuzu Angel, acabou sendo presa pelos militares por desacato, depois de rasgar um cartaz de "procurado" com o filho da estilista. Por esse episódio, perdeu a cidadania brasileira e se tornou "apátrida" por um bom tempo ( depois de anos, conseguiu cidadania alemã). Se importava com todo mundo, da faxineira ao maquiador, do sem teto ao diretor, sempre com um sorriso, uma gentileza, uma frase de esperança, uma brincadeira. Aliás, em sua página de perfil no Facebook hoje, o administrador deixou essa bela homenagem:

"Avisamos que nossa Elke já não está por aqui, conosco. Como ela mesma dizia, foi brincar de outra coisa. Que todos os deuses, que ela tanto amava, estejam com ela nessa viagem. 'Eros anikate mahan' (O amor é invencível nas batalhas). Crianças: conviver é o grande barato da vida, aproveitem e convivam."

Estava sempre em eventos de cinema e teatro, camarotes de Carnaval, programas de tv como convidada e desfiles de temática GLBT; chegou a ser "rainha da associação das prostitutas do Rio". Eike sempre surpreendia e cativava. Nos últimos meses ( até junho), vinha se apresentando com o espetáculo "Elke Canta e Conta", onde discorria sobre passagens de sua vida desde a infância na Rússia, passando pelos vários casamentos e a vida artística. No final do ano passado, apareceu com destaque em um quadro do Fantástico, "O Grande Plano".
A falta de sua alegria plena vai deixar uma lacuna considerável aqui no nosso plano. Mas Elke tem que maravilhar outros lugares.

Com Pedro de Lara


Cinelândia - Maio de 1963

15 de agosto de 2016

Made in Brazil no Sesc Itaquera (14/08/2016)



Ontem ganhei um presentão de Dia dos Pais: depois de um café da manhã espetáculo preparado pelos filhotes, a tarde me traria uma surpresa divertidíssima, com o show (grátis!) no Sesc Itaquera da grande Made in Brazil, a mais longeva e uma das mais antológicas bandas de rock do Brasil. Os irmãos Vecchione ( Oswaldo e Celso Kim), apaixonados por motos e Rolling Stones começaram a história toda em 1967 e depois de várias formações - já fizeram parte da gang o lendário e saudoso vocalista Cornélius e o recém falecido Percy Weiss - continuam tacando fogo na platéia com seu rock visceral e sem frescuras. O show intitulado "Rock Combate" trouxe clássicos imperdíveis como "Anjo da Guarda", "Paulicéia Desvairada", "Gasolina", "Minha Vida é o Rock and Roll", "Os Bons Tempos Voltaram", "Jack, o Estripador", e a melhor delas "Uma Banda Made in Brazil", stoneana até as tripas. A formação atual - Oswaldo no vocal principal, baixo, guitarra, gaita e percussão; Celso Kim na guitarra, violão, baixo e backing; Octavio Lopes Bangla ( sax, desde 1979), Guilherme Ziggy (guitarra, desde 2013 - toca muito!), Rick "Monstrinho" Vecchione na bateria e Ivani "Janis" Venâncio, backing vocals e percussão - mandaram muito bem os clássicos e algumas mais recentes, com vigor, energia e um pique que muita banda com poucos anos nas costas não tem. Eu de minha parte pulei muito, junto da family que não dispensa um bom rock and roll! Nessas, tenho certeza que rejuvenesci uns dez anos! rs. Longa Vida ao velho Rock!



ps: o Made faz em setembro no Sesc Belenzinho um show que com certeza será histórico. Eles comemoram na data seus 49 anos de estrada e para essa festa, além da gravação de um DVD ao vivo, contarão com 20 convidados! ( entre eles, Serguei e Guto Goffi). Fiquem atentos!







12 de agosto de 2016

Abertura Olimpíca com substância: bossa, ecologia, samba, Santos Dumont ...



A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio no Maracanã fez um sucesso danado e não foi pra menos. A pesquisa histórica, o respeito pelas tradições, homenagens surpreendentes ( Santos Dumont, por exemplo), cenografia detalhista e criativa e mensagens na lata ( paz, meio ambiente, diversidade, tolerância e respeito entre os povos). A equipe criativa - que incluiu Débora Colker, Daniela Thomas, Fernando Meirelles e Andrucha Waddington sob a direção geral de Abel Gomes - teve que se virar com orçamento reduzido (85% menos que a de Londres 2012) e se saiu muito bem. Uma das grandes sacadas de todo o espetáculo foi aproveitar o solo do gramado para projeções gigantes, o que facilitou a entrada de fundos, paisagens, movimentos e todo o resto da coreografia. Se nos dias anteriores a própria produção chamava o que viria de "gambiarra criativa", justamente por conta do pouco dinheiro, no final todos acabaram se maravilhando justamente com esse desprendimento e informalidade do brasileiro, sem cair na bagunça. Méritos também para a escolha das atrações e homenagens: acertaram em cheio ao simular vôo do 14-Bis ao vivo ( os americanos ficaram magoados? sinal de que esse resgate serviu para provocar uma discussão sobre essa injustiça histórica), colocar nos detalhes as obras seminais de Burle Marx, Niemeyer e Ziraldo ( o símbolo ecológico é dele - vejam na foto acima), deixar o maratonista brasileiro Valderlei Cordeiro de Lima - aquele mesmo que ganhou bronze em Atenas depois de perder o ouro por ter sido empurrado por um padre alucinado um pouco antes de cruzar a linha de chegada - acender o fogo olímpico ( com a tocha trazida por Gustavo Kuerten e na sequência Hortência), em mais um simbolismo que só poderia ser bolado no Brasil mesmo, e a música, ah a música brasileira! Paulinho da Viola abrindo lindamente com o Hino, Elza Soares emocionando, Daniel Jobim, neto do homem, encantando com sutileza enquanto uber Gisele "Garota de Ipanema" desfilava, Zeca Pagodinho e Marcelo D2 trocando figurinhas malandramente, mestre Wilson das Neves abrindo alas com serenidade para o inusitado trio Caetano/Gil e Anitta ( falem mal da música dessa menina, mas o profissionalismo dela nessas ocasiões é de se tirar o chapéu) e o sempre ovacionado Jorge Ben Jor, com seu País Tropical conhecido até no Alasca ( só não entendi a Regina Casé). Permeando tudo, o genial Ary Barroso, deixando no ar um clima mágico de "bons tempos", mesmo sob a sombra da crise econômica. E a ecologia, pauta mais do que necessária, nas entrelinhas a todo momento. Teve aparições mais óbvias como as escolas de samba, o funk carioca, mas tudo isso faz parte do pacote, né? E cá pra nós, bateria de escola de samba ao vivo arrepia qualquer ser humano. Alguns dizem que faltou Pelé, outros Ayrton Senna ( pelo menos durante as encenações, os dois poderiam ser homenageados com atores), afinal tinha Guga e Oscar; Mas o resultado final foi incrível e correu positivamente a mídia mundial como uma abertura autêntica e inspirada. Algumas atrações merecem ser vistas:








11 de agosto de 2016

AZULEJOS 1 - Avenida da Paz ( Santo André) ( acervo de Luiz Viabone).

Já faz um bom tempo que eu penso em fotografar o (ainda) grande número de azulejos artísticos que se espalham pela minha região ( ABC Paulista). Eles são de um tempo em que o quintal, as fachadas, as paredes de entrada e os terraços eram locais sagrados da casa ou do estabelecimento comercial, pontos iniciais no ritual de boas vindas aos visitantes e portanto, deveriam ter uma decoração à altura. Os azulejos artísticos, assim como as estátuas de jardim e oratórios, são detalhes obsoletos em tempos de espigões de concreto e imóveis de escritórios para alugar. Para não perder de vista essas maravilhosas obras de arte, que geralmente retratam o cotidiano, as paisagens e a religiosidade, inauguro a série AZULEJOS com esses dois azulejos magníficos que eu descobri intactos no interior de uma marcenaria na Avenida da Paz, em Utinga, Santo André. O achado fica bem próximo da divisa entre as cidades de Santo André e São Caetano, em um local estratégico ao lado da estação de trem de Utinga ( a antiga linha Santos-Jundiaí). Em meus tempos de criança, ia a este mesmo local com meu tio e primo - na época era um bar muito frequentado à beira das porteiras dos trilhos - e lembro que as paredes eram exatamente do mesmo jeito que encontrei agora, com os painéis no alto em fundo claro e a parte inferior recoberta de azulejos pretos e amarelos. Parabéns ao antigo proprietário e ao seu Luiz Viabone, que gentilmente abriu suas portas para esses registros e que faz questão de preservá-los até hoje. Coisa rara e louvável de se ver. Os dois painéis azulejados retratam paisagens do centro da capital São Paulo, mais especificamente o Parque Dom Pedro ( onde se vê claramente o grande prédio do Banespa ao fundo) e tem a assinatura do "Ateliê Mural ( ou Moral)", seguido de um telefone com 5 dígitos! 






10 de agosto de 2016

Vander Lee ( 1966-2016)

Quem me apresentou a música do mineiro Vander Lee foi meu cunhado Zé, e de prima me amarrei na poesia direta, pessoal e sensível do compositor, além de suas vivas crônicas cotidianas . O vocal eu demorei um pouco mais pra me acostumar, mas a intensidade honesta das músicas acabou suprindo qualquer estranheza inicial. Notei também desde o começo um pouquinho de melancolia nas entrelinhas de suas canções, como se o artista carregasse um sofrimento latente pela ausência de romantismo que avassala o mundo. Hoje, sofre seus fãs e seus admiradores, por seu falecimento tão repentino, aos 50 anos, depois de passar mal durante hidroginástica. Fica o legado de 30 anos de carreira, de cantor da noite à compositor requisitado e querido por muitos/muitas intérpretes - de Zizi Possi à Rita Ribeiro ( hoje, Rita Benneditto), de Gal Costa a Elza Soares, de Luiz Melodia à Leila Pinheiro. Aos que não conhecem a arte de Vander Lee, taxado erroneamente de "cantor romântico" pela crititica especializada - essa é só uma vertente do seu amplo trabalho - sugiro que comecem bem na manha, aos poucos, mergulhando em suas letras inquietas e narrativas passionais. Vander Lee está ali, bem lá no fundo, de alma aberta.

http://www.vanderlee.com.br/new/index.php

http://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2016/08/05/noticia-e-mais,182820/cantor-vander-lee-morre-aos-50-anos.shtml

https://www.youtube.com/watch?v=h_7Y6h4jOE4

7 de agosto de 2016

História do Rio de Janeiro pela sua arquitetura


O "Guia da Arquitetura do Rio de Janeiro", lançado recentemente, é um livro bem recheado: vem com vários mapas, 700 verbetes de edificações/imóveis e 400 fotos. As importantes construções selecionadas para a edição - desde construções datadas de 1600 como o Museu Histórico Natural na Zona Portuária e a Igreja e o Mosteiro de São Bento até núcleos arquitetônicos mais recentes, como o conjunto habitacional Marquês de São Vicente na Gávea - apresentam muito bem em seu conjunto a História da cidade do Rio de Janeiro, que hoje está sendo vista praticamente pelo mundo todo graças a realização dos Jogos Olímpicos. A publicação é da Editora Bazar do Tempo. (imagens - divulgação Bazar do Tempo)

Aqueduto da Colônia Julio Moreira

Jardim Suspenso do Valongo

6 de agosto de 2016

Painel de Eduardo Kobra no Boulevard Olímpíco

O muralista e grafiteiro Eduardo Kobra já rodou o mundo com seus painéis imensos e as dimensões de suas obras geralmente impressionam. Desta vez ele extrapolou suas próprias medidas e criou um gigantesco mural para as Olimpíadas. As proporções deste seu último trabalho chega a quase 3 mil metros quadrados em um local no miolo da revitalizada zona portuária do Rio batizado de Boulevard Olímpico e já pode ser considerado o maior mural grafitado do mundo.
Siga o processo de criação de Kobra neste vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=HTduK8ckJNw&spfreload=5