24 de novembro de 2017

"É Isso Mesmo!?", mais uma coletânea do Projeto Apparere



Muito feliz com mais uma obra de minha lavra selecionada para uma das coletâneas do projeto Apparere, da Editora PerSe. Desta vez, minha poesia "Espanto" entrou na coletânea "É Isso Mesmo!?", com textos sortidos ( poesia, conto, crônica) focados em temas sociais/contestatórios. A poesia é essa aí embaixo e a capa da coletânea ( que sai em dezembro - fiquem atentos na página do projeto: http://www.apparere.com.br/index.php) está destacada lá em cima ( autoria de Denize Lurdes Lucinda).

ESPANTO

O ESPANTALHO SE ESPANTA:
-TANTA FARTURA À MINHA FRENTE!
MAS EM TODO O MUNDO,  A FOME
A INFAME FOME DE TANTA GENTE!





23 de novembro de 2017

A espetacular arte fotográfica de Jason M. Peterson


Dica preciosa da Mylena Fontes na página virtual da revista Piauí: as fotos espetaculares em PB do fotógrafo americano Jason M. Peterson. O fotógrafo é diretor de criação da Havas North America e publica suas imagens no Instagram, onde já tem mais de 1 milhão de seguidores. Sombras, contrastes, movimentos, ângulos inusitados - sua arte transpira urbanidade e criatividade!





Matéria completa com mais fotos, aqui:

http://www.zupi.com.br/belas-fotos-em-preto-e-branco-de-jason-m-peterson/

22 de novembro de 2017

Stones! ( photo by Gabriel Canos)


Em momento de descontração com meu filho guitarreiro, fizemos de brincadeira um "mar stoneano" a minha volta. São 36 anos de coleção, desde que comprei na loja o LP "Tatto You" em 1981. Eu tinha 13 para 14 anos e já ouvia os Stones no rádio. Ali, a banda já era minha "favorita de todos os tempos". Hoje, estou envelhecendo e eles ainda estão na ativa! Viva os Rolling Stones!

21 de novembro de 2017

Bambas do Broadcasting ( mais uma foto)


Bambas do Broadcasting era um conjunto de baile e de apresentações em emissoras de rádio formado nos anos 40 na região do Ipiranga. Um dos integrantes, Florindo Gallo, é pai da minha sogra, Dona Ivete, e foi ela que resgatou mais essa rara fotografia do grupo ( a outra foi publicada em post anterior, aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2014/06/bambas-do-broadcasting.html) . Na verdade, a nova foto não foi escaneada, mas fotografada diretamente por celular do acervo ( casa de parentes), daí a qualidade da imagem ficar prejudicada, mas diante de tal achado, valeu a intenção.
Na foto vemos Gallo ( sobrenome e nome artístico de Florindo - na esquerda, embaixo), Rubens ( esquerda, acima), Ezequiel ( bem ao centro), Ataliba ( direita, embaixo) e Pedrinho ( direita, acima).

17 de novembro de 2017

Baú do Malu 73: Partitura de "A Mulher do Leiteiro" (1942)


Essa linda partitura com ilustrações sublimes de Mendez traz a composição "A Mulher do Leiteiro", sucesso do Carnaval de 1942 interpretado pela impávida Aracy de Almeida e composta pelo especialista em marchinhas Haroldo Lobo (aqui com Milton de Oliveira). Uma bela moldura para uma canção típica da época, expondo os costumes e as mazelas da classe menos abastada da sociedade brasileira.






E para quem quer ouvir a gravação original, aqui está:

https://www.youtube.com/watch?v=F7fS4cgPtbo

14 de novembro de 2017

Furador de papel, 131 anos



A pesquisa do Google às vezes surpreende. Hoje, 14/11/2017, fico sabendo na página inicial do buscador que o providencial furador de papel completa 131 anos de existência. Para a efeméride, um Doodle animado em clima de carnaval adiantado. Aliás, foi a partir daí que foram inventados os confetes?

10 de novembro de 2017

Foto do Mês: imóvel histórico em Santo André


Andando por aí ainda podemos topar com resquícios da História, ainda que o deterioramento, o descaso e a omissão contribuam para a "desmemória" generalizada da região. Na vizinha Santo André, ali perto do Colégio Singular, no centro da cidade, encontrei uma vila histórica completamente detonada, com saída para o calçadão da Oliveira Lima onde ainda convivem casas antigas com costureiras em plena atividade e imóveis abandonados ( como o da foto) de arquitetura inusitada. Há ainda um arco de azulejo na entrada com algumas poucas letras que sobraram (Villa...) - só não tirei foto porque meu celular descarregou. Na próxima eu tiro.

8 de novembro de 2017

Capa do Mês: Wings Comics nº° 104 ( Abril de 1949)


Revista clássica da Fiction House com personagens de aventura. Os heróis nesta fase pós-2ªGuerra ainda combatiam no front e variavam entre combatentes das forças armadas/aviadores e super-heróis com uniformes especiais. Na edição estrelam o famoso Captain Wings, a mocinha Jane Martin,King of the Congo, The Phanton Falcon , Suicide Smith ( que nome é este?) e Ghost Squadron. Uma época exagerada, superficial e tosca onde os editores estavam atirando para todos os lados. Mas
que deixou um legado de capas exuberantes e chamativas como esta.
A capa não está assinada.

31 de outubro de 2017

Betinho Moraes: Um Guitarrista com a Corda Toda

Saiu do forno o fanzine/livreto "Betinho Moraes - Um Guitarrista com a Corda Toda", obra que eu estava burilando há alguns meses e que agora veio à luz. Betinho Moraes foi uma figura fundamental para se entender  a música, a loucura e a criatividade dos incandescentes anos das décadas finais do século XX. Naturalmente underground, passou por bandas obscuras do ABC até entrar para o Devotos de NSDA do Luiz Thunderbird e em seguida para o Kães Vadius, a primeira banda de psychobilly do Brasil. Além de tocar muito qualquer estilo musical, Betinho colecionou histórias tragicômicas, surreais e emocionantes, muitas delas por conta de sua maneira intensa e à flor da pele de viver a vida. Vida que acabou escorrendo pelas suas mãos muito cedo, mas que deixou um rastro profundo e inesquecível nos caminhos boêmios e intensos da nossa juventude oitentista. Betinho Moraes inaugura a série "Sons do ABC" ( esse é o número zero) que eu espero ter vida longa, mesmo independente/ às próprias custas. Muitos amigos colaboraram com depoimentos, fotos, memorabilia e dicas. Fica aqui meu agradecimento sincero ( e lá no fanzine a inclusão de cada um nos agradecimentos oficiais). Em breve, posto aqui como, onde e quando se dará o lançamento. Viva Betinho Moraes!




29 de outubro de 2017

Torquato Neto: Todas as Horas do Fim

Ontem foi uma noite especialmente mágica: recebi convite do diretor Eduardo Ades para assistir a estreia do filme "Torquato Neto: Todas as Horas do Fim" em São Paulo, dentro da Mostra de Cinema  que rola até o início de novembro em toda a cidade. A sessão era no Cinema Itaú do Shopping Frei Caneca e fui com muita expectativa junto à family assistir ao documentário sobre a vida e obra do enigmático poeta piauiense, peça chave do tropicalismo e da contracultura da virada dos 60 para os 70. A direção e roteiro tem a mão dos diretores Eduardo Ades e Marcus Fernando e traz uma película muito bem pesquisada mas que não caiu propositalmente no caminho da biografia óbvia e já tão documentada e comentada. É um filme de sensações principalmente, com trechos de filmes famosos ( Macunaíma, Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Bandido da Luz Vermelha, entre outros, além dos filmes mais obscuros e os ligados à Torquato, principalmente "Nosferato no Brasil" de Ivan Cardoso, que teve o poeta como protagonista) cenas reais da época ( ruas de Copacabana, madrugada carioca, Dunas da "Gal", exílio dos tropicalistas) e momentos cruciais da música e da política ( programas e festivais na TV, passeata dos Cem Mil, festa do disco Tropicália na Estudantina, cenas violentas da repressão militar, programa do Chacrinha). Digo "sensações" porque optou-se pelo lado poético de Torquato, pois como um dos entrevistados frisou bem em seu depoimento, ele sempre botou poesia onde passou - música, cinema, jornalismo, literatura, arte marginal. E o que se percebe durante as quase 1 hora e meia de filme é a intervenção explícita de Torquato em todas as cenas expostas, seja em áudio na primeira pessoa ( a maioria feita por dois atores) seja em aparições reais ( fotos e cenas raras do poeta - uma que chama muita atenção é ele na janelinha de um jato Varig acenando para fora antes de zarpar para Londres). Mesmo as imagens da época em que não está de corpo presente trazem a impressão de que seu olhar perscruta tudo ao redor. Embrulhando tudo isto, sua poesia e letra escorre na tela, em trechos, manuscritos, declamações e interpretações emocionantes das suas letras em música - desde as bossas singelas e canções de lembranças nordestinas do início de carreira, passando para as composições ditas tropicalistas e parcerias ecléticas ( com Edu Lobo - a magnífica Pra Dizer Adeus - , Luiz Melodia, Jards Macalé, Renato Piau, entre outros). Gilberto Gil foi o parceiro mais constante, pelo menos até o rompimento da parceria, que se deu no momento do exílio dos baianos em 1969 - e que segundo depoimentos de Gil e Caetano aconteceu sem nenhuma briga formal. A veia jornalística surge de leve - apenas sua coluna Geléia Geral aparece com mais destaque - prevalecendo a imagem mais cinematográfica ( Nosferato percorre toda a parte final do documentário, justamente a fase em que Torquato é internado mais vezes, luta com o alcoolismo e rompe com amizades e projetos) e contracultural ( cenas raras com seu amigo Helio Oiticica e imagens e transcrição de carta sobre a revista literária Navilouca, de número único, produzida junto dos amigos poetas concretistas). No final da sessão, depois dos letreiros tendo ao fundo "Go Back" ( letra de Torquato e música de Sergio Britto gravada pelos Titãs) rolou uma rápido bate-papo com os diretores e ficou ainda mais clara a proposta da produção: uma pessoa na plateia sentiu falta no filme do suposto "affair" entre Torquato e Caetano, e a resposta dada foi que essa suposição não ficou registrada/marcada na obra de Torquato, ficando, portanto, à revelia do enredo, que preferiu focar no romance/casamento com Ana, parceira efetiva/afetiva em sua vida e que lhe deu o filho único Thiago ( que estava presente na plateia). Outro assunto já batido que acabou de fora da edição final foi "Cajuína", música escrita por Caetano quando se encontrou com o pai de Torquato algum tempo depois de sua morte. O suicídio no dia de seu aniversário de 28 anos é tratado com sutileza e cuidado durante toda a película - o que não quer dizer que foi minimizado, pelo contrário. Depoimentos diversos citam essa tragédia pessoal, alguns lembrando que o tema morte era sempre comentado por Torquato - que de uma pessoa doce e contida, podia se transformar depois de doses a mais em um sujeito agitado, agressivo e melancólico. O cineasta Ivan Cardoso, sempre espirituoso, cita que Torquato foi um drácula legítimo ( Nosferato de novo), mesmo quer insistisse em usar sandálias alparcatas hippies por baixo de seu traje sinistro, e que como tal, pode reaparecer a qualquer momento. Torquato reparece sim - em canções póstumas, em homenagens diversas, em matérias especiais, em livro - Toninho Vaz, que acabou de finalizar a biografia de Zé Rodrix - fez uma obra excelente sobre ele-, e agora nesse belo filme, que longe de ser uma biografia completa, exala poesia e vida por todos os seus poros, sem esconder as tragédias, mas exaltando a arte transcendental e contracultural de Torquato Neto.